Leopac - Hello Africa part. Chikão Shakur , Khronic (prod. Beatnick & K-Salaam)

Em Hello Africa, música dançante que remete aos bailes blacks, Leopac quer levantar o público nos primeiros versos que também compõem o refrão: “nós somos pretos não importa o que haja, Africa, logo ‘nós’ tá em casa”. Entre grooves de música afro americana e brasileira, a letra fala da sua vida como homem preto dentro do seu país, a partir de sua extensa vivência musical e pessoal. “É um retrato do cotidiano de um MC preto, deixa nítido que a busca pela vitória, o combate contra o racismo, as batalhas diárias, até o regozijo com os familiares e amigos, são algo comum entre o povo preto brasileiro”, conta Leopac. A música fecha com uma declaração inspiradora, presente de seu amigo de anos, Khronic, rapper de Moçambique. “Esse trecho é a ponte, porque o povo preto deve conhecer e encontrar sua origem em solos africanos”, revela o rapper mineiro.

O vídeoclipe de Hello Africa, lançado junto ao single, é uma ideia original. Minimalista, revela o processo artístico em busca da estética afrofuturista, expondo a precariedade das ferramentas visuais em valorização da sonoridade. O diretor Robson Leve questiona o audiovisual, confrontando as prioridades da audição e da visão em um videoclipe. “Para mim a música é o carro-chefe e sei o poder que o visual tem, mas a ideia é sentir a música, absorver o que eu tenho para falar, minha oralidade”, conta Robson, que chama o vídeo de fotoclipe. “O fotoclipe é a música em primeiro plano, complementada por uma câmera parada a partir de um único ângulo e sem cortes. O lugar é essencialmente parte da música que está sendo ouvida”, completa. Gravado no parque da Zona Sul de Poços de Caldas, o local marca a referência de passado e de ancestralidade de ambos, rapper e diretor. A paisagem de outono sob um céu azul, bucólica como as memórias de infância e inspiradora como um futuro negro imaginado a partir de suas experiências, são a marca visual do clipe. “É intimista, reflexivo. Antes de criar o futuro tem que entender e respeitar muito o passado. A música e o lugar em que gravamos trazem o respeito à ancestralidade, como a Africa na letra, o local de origem, nossa referência, que ensina muito sempre que botamos os pés lá”, declara.

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